Saiba evitar tontura e enjoo durante o trajeto da viagem

Enjoo, tontura, vômito, palidez e desconforto físico são sintomas frequentemente sentidos por algumas pessoas durante uma viagem de carro, ônibus, avião e, principalmente, de barco. Todo esse mal – estar pode caracterizar uma doença chamada cinetose, também conhecida como “mal de embarque”, capaz de fazer quem sofre dela desistir da viagem para evitar o desconforto do trajeto.

A cinetose pode se manifestar em qualquer momento da vida e tem maior incidência entre mulheres e crianças. “É um distúrbio do movimento que pode ocorrer quando o corpo está parado e o entorno está em movimento ou o inverso. O cérebro fica confuso com as informações conflitantes entre o labirinto e a visão. Essa confusão é percebida como tontura”, explica Roseli Bittar, otoneurologista do Hospital das Clínicas da USP.

O labirinto fica na parte interna do ouvido. É o responsável pelo equilíbrio e principal sensor de movimento do corpo humano. Quando as pessoas saem de parques de diversão tontas e nauseadas isso também ocorre devido ao estímulo excessivo do labirinto. “São movimentos que vão muito além do que experimentamos em nosso cotidiano”, completa a médica.

Roseli Bittar esclarece que as mulheres são mais afetadas pelo mal de embarque por causa das variações hormonais, enquanto as crianças sofrem porque ainda têm o sistema vestibular imaturo. Fernando Freitas Ganança, professor de otologia e otoneurologia da Unifesp, comenta que a possibilidade de desenvolver a cinetose é muito variável de pessoa para pessoa. “Algumas nascem com o labirinto mais resistente e outras, mais sensível. A sensibilidade aumenta se o indivíduo apresentar algum distúrbio do sistema vestibular”, menciona o médico.

Ele ressalta que o mal-estar durante o trajeto da viagem é acentuado por alguns hábitos comuns entre viajantes, como comer de forma demasiada e ingerir bebidas alcoólicas. A exposição a cheiros fortes originários de perfumes, fumaça de cigarro e de motores, assim como dormir pouco antes da viagem agravam os sintomas.

De acordo com os especialistas, as pessoas que sofrem de cinetose costumam apresentar os sintomas desde a infância e mesmo quem está acostumado a viajar de barco ou avião pode manifesta-los em dias de mar agitado e turbulência.

“Quem apresenta cinetose deve sentar-se no banco da frente no carro e, se possível, dirigir o veículo na tentativa de acompanhar melhor o trajeto e, com isso, evitar um conflito sensorial com o labirinto. No barco, o melhor é localizar-se próximo ao centro da embarcação, onde o balanço é menor, e longe de cheiros fortes como o de fumaça, óleo queimado e cigarro. No avião, o melhor é torcer para não ter turbulência”, orienta o médico Fernando Freitas Ganança.

Veja mais oito dicas dos médicos para evitar o mal-estar durante o trajeto da viagem:

  • Mantenha os olhos fixos em um ponto imóvel
  • Evite olhar objetos ou situações em movimento, como as ondas do mar
  • Não fique muito tempo em jejum e cuidado com as dietas radicais. Procure ter uma alimentação balanceada, comendo a cada três horas
  • Aumente a ingestão de água: beba pelo menos seis copos por dia
  • Evite ingerir café, doces ou alimentos muito gordurosos
  • Fique em locais bem ventilados
  • Evite comer muito antes de se expor a viagens de barco e carro, brinquedos de diversão e simuladores
  • Evite bebidas alcoólicas durante essa exposição
  • Evite contato com cheiros fortes como o de motor de embarcações, de escapamento de carros e de cigarro
  • Tente se posicionar na região próxima ao meio da embarcação, onde o balanço é menor.
  • Na próxima página saiba como tratar a cinetose e como agir durante uma crise.
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Geralmente os sintomas da cinetose vão embora com o término do deslocamento, mas algumas pessoas podem continuar sentindo as náuseas e tonturas mesmo após encerrar a viagem. Os especialistas afirmam que existem remédios capazes de inibir o aparecimento da doença, mas que é preciso orientação médica antes de ingeri-los.

“Os remédios inibem a ação do labirinto, diminuindo as respostas conflitantes que geram o mal-estar. O ideal é que as pessoas sejam avaliadas pelo especialista a fim de se verificar se há algum distúrbio labiríntico e possíveis contraindicações e interações medicamentosas”, orienta Fernando Freitas Ganança.

Roseli Bittar acrescenta que alguns tipos de exercícios físicos de reabilitação do equilíbrio podem ser feitos para minimizar e evitar o problema. Eles estimulam o sistema que envolve o labirinto, tornando-o mais resistente aos movimentos.

Os médicos indicam que ir para um lugar ventilado, se sentar de olhos abertos e ficar olhando para um ponto fixo na parede são práticas que podem ajudar a aliviar os sintomas no momento em que a pessoa está passando por uma crise de cinetose. Eles também alertam para nunca dirigir ou manusear máquinas e equipamentos cortantes quando estiver nesta situação. Além disso, é preciso abandonar o hábito de se automedicar. Ao invés disso, procure um médico.

Fonte: Uol

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