Saiba como aproveitar as atrações de Bariloche na primavera e no verão

O branco da neve derreteu, todo ou quase, mas as outras cores fortes de Bariloche continuam lá, primavera e verão, na Cordilheira dos Andes, nos bosques do entorno e no cinematográfico Nahuel Huapi, o lago gigante. Principal destino turístico da Patagônia, a cidade argentina sabe exibir a imponência de sua paisagem com conforto e segurança, em teleféricos, passeios de barco e atividades ao ar livre como passeios de bicicleta, cavalgadas e esportes radicais. Com temperaturas amenas, sem as roupas pesadas e o vento gelado no rosto, o corpo do visitante relaxa e aproveita melhor o lugar. E que lugar. Por vezes, dependendo do mirante, a combinação de azul, verde e marrom parece irreal, de tão bonita.

É fácil circular por lá, a pé, de ônibus, táxi ou carro alugado. As principais atrações e estruturas de apoio se concentram em poucas quadras,no Centro Cívico e nas ruas Mitre e Moreno, e ao longo dos 25 km da avenida Bustillo, nas margens do lago. No meses de verão, as dezenas de sorveterias se tornam mais apetitosas e as roupas de inverno estão em liquidação. Como a temperatura dificilmente ultrapassa os 30°C durante o dia e pode baixar de 10° à noite, os chocolates artesanais não derretem e dá para degustar os tintos especiais da região vinícola de Neuquén fazendo de conta que é inverno.

Fundada em 1902, San Carlos de Bariloche dispõe há décadas de hospedagens para todos os bolsos, de albergues a pousadas e hotéis de luxo. Excursões de jovens estudantes fazem parte da paisagem, o que significa boa oferta de restaurantes, bares e lojas de suvenires com preços em conta. Em qualquer época do ano, vale a pena visitar o Museo de La Patagonia Francisco P. Moreno, no Centro Cívico. O nome homenageia o paleontólogo e historiador que lançou a idéia da criação do Parque Nacional Nahuel Huapi.

Empalhados ou em fotos, o museu exibe a rica lista de animais da Patagônia – o condor, o caburé, o biguá, o albatroz, o guanaco, lobos e elefantes marinhos da costa atlântica. E também conta, por meio de armas e fardas militares, a história de combates entre brancos e indígenas nos desertos da região.

As principais atrações do verão

Passeios de barco: Para todas as idades, as excursões proporcionam um contato prolongado com o azul profundo do lago Nahuel Huapi. Também assombram as dimensões: são 560 km 2 de água que vão desembocar no rio Limay. Um passeio tradicional que parte de Porto Pañuelo, na frente do Hotel Llao Llao, leva centena e meia de turistas em confortáveis catamarãs até Isla Victoria e Bosque de Arrayanes. Na versão de seis horas dá para fazer trilhas entre bosques e sequóias e ainda almoçar na ilha. As árvores foram importadas dos Estados Unidos, e o guia explica que os pinheiros exóticos são idênticos aos do seriado Bonanza. O passeio curto permite caminhar até a praia de lago: no verão, dá banho. No Bosque de Arrayanes, o clima é de contos de fadas graças às formas e às cores amareladas das mirtáceas protegidas por passarelas; na agência Cau Cau, tel: (02944) 431372, www.islavictoriayarrayanes.com. Um roteiro mais extenso por água e terra parte de Bariloche e vai a Puerto Varas, no lago Llanquihue, vizinho do vulcão Osorno, no Chile, com a Cruce Andino, www.cruceandino.com

Banho de lago: Lembre-se que as águas cristalinas do Nahuel Huapi são glaciais, formadas com a neve derretida das montanhas. Mas o frio não deve desencorajar turistas acostumados com as praias de Santa Catarina, por exemplo. Em Bariloche, duas das praias com melhor estrutura são a Playa Bonita, a 8 km do Centro, num cenário de ciprestes e araucárias, vizinha do restaurante La Playa, que serve parrillas o ano todo; e a Playa Serena, a 12 km do Centro, próxima do Hipódromo e da Cervezaria Blest, de produtos artesanais. Várias linhas de ônibus fazem este percurso pela avenida Bustillo, e as praias têm opções de hospedagem no entorno. Outro jeito de cair na água com vista para as montanhas da Patagônia é levar traje de banho no passeio de barco a Isla Victoria, que conta com uma pequena enseada de areias grossas e ainda trapiche para mergulho.

Teleféricos: É difícil (e talvez seja inútil) dizer qual dos cerros – Catedral, Otto e Campanário – exibe a paisagem mais bonita de Bariloche. Todos os mirantes descortinam o espetáculo das montanhas marrons com neve no topo, longos trechos de bosques e florestas verdes e imensas massas de água azul do lago Nahuel Huapi e de dezenas de lagos e lagoas menores.  Havendo tempo, visite os três. A diferença está nos meios de elevação e nas atrações disponíveis no topo. Além da gôndola fechada, para quatro pessoas, o Cerro Otto (1.405 m) conta com restaurante giratório, funicular (um tipo de micro-ônibus sobre trilhos) e o divertido Otto Kart, uma descida para crianças e adultos em brinquedo inflável, na pista de 300 m; tel: (02944) 441031, www.telefericobariloche.com.ar  No Cerro Campanário (1.050 m), começa-se a flutuar sobre o topo das árvores no teleférico de cadeira e a sensação continua no terraço do bar. Quem gosta de ventania sobe no mirante mais alto e de lá contempla os visitantes fazendo pose para fotos diante de pinheiros exóticos; tel: (02944) 427274.

O Cerro Catedral é a maior estação de esqui da Argentina. Em 2010, as pistas ficaram abertas para esquiadores e snowboarders até 10 de outubro. Na primavera e verão, os ski lifts são reduzidos, mas prosseguem funcionando para levar visitantes até cerca de 2.000 m de altitude. Além da subida em teleféricos sobre bosques e pedras, uma aventura em si, o topo das montanhas oferece mirantes, bares e atividades como trekking com guias, escalada, mountain bike, cavalgadas, mountain board e passeios de quadriciclos. Agências oferecem o passeio a Cerro Catedral sem o bilhete de ascensão, mas o importante, lá, é ver a montanha do alto. Os preços são mais em conta do que na alta temporada: aproveite. Tel: (0294) 409000, www.catedralaltapatagonia.com

Cavalgadas: Os passeios a cavalo permitem uma imersão mais completa na cultura e na paisagem da Patagônia, percorrendo as estepes andinas, costeando lagoas de água cristalina e subindo em colinas e penhascos que ciclistas dificilmente alcançariam. Existem excursões de duas horas, de dia inteiro e também de vários dias, estas com pernoite em acampamentos. Na Estancia Fortín Chacabuco, na Ruta 40, os visitantes percorrem bosques de pinheiros, comem churrasco, saem galopando (os mais experientes) e ainda têm contato com a criação de ovelhas; tel: (02944) 554148. A apenas 15 km do centro de Bariloche, o centro de turismo eqüestre Tom Wesley oferece cavalgadas curtas em áreas montanhosas, como o Cerro Campanário, a praia do lago Moreno e a foz do rio Casa de Piedra. Cavaleiros que dispõem de dois ou mais dias podem fazer o roteiro da estepe patagônica, paisagem povoada por cavalos selvagens, flamingos e guanacos; tel: (02944) 448193, www.cabalgatastomwesley.com  – no centro de Bariloche, várias agências dispõem de passeios a cavalo, com traslado incluso.

Passeios de bicicleta: As zonas mais tranqüilas – e belíssimas – para praticar mountain bike ficam distantes do centro da cidade, como a Península de San Pedro, o Cerro Otto, o entorno do Lago Moreno e o Parque Municipal Llao Llao. A Cordillera Bike aluga as bicicletas por hora ou por dia no Circuito Chico, no km 18,6 da avenida Bustillo, nas proximidades do Cerro Campanário. A partir dali, é fácil tomar o rumo das estradas de chão da Península de San Pedro e curtir as praias de lago, com vista para as montanhas. Com mais tempo e fôlego para subidas e descidas, vai-se até a Colônia Suíça, Bahia Lopez ou Lago Escondido. Quem aluga oferece mapas, orientações e capacete na ida e uma cerveja artesanal na volta, com sofás para espichar as pernas. Tel: (02944) 524828, www.cordillerabike.com

Colônia Suíça: É um enclave de imigrantes europeus, que preservam o estilo rústico nas ruas de cascalho, a 22 km do centro de Bariloche. A Feria Regional de Artesananos y Productores se realiza às quartas, sábados e domingos, das 10h às 18h, todos os meses do ano. Decoradas de vermelho(a cor da bandeira da terra dos antepassados), as barracas dos moradores vendem cervejas, licores e chocolates artesanais, além de quitutes fresquinhos como tortas e empanadas. Vale a pena almoçar por lá para acompanhar o curanto, uma tradição das tribos polinésias de preparar a comida diretamente no chão, sobre pedras quentes. Em Bariloche, a família Goye, conhecida pela marca de chocolates finos, trouxe a tradição do Chile, onde viveu no final do século 19, antes de imigrar para a Argentina. A mistura de cinco tipos de carne (lingüiça, matambre, frango, vazio e cordeiro), legumes, verduras e frutas cozidas na pedra, abafados por mantas grossas e terra durante hora e meia, tem um aroma único. A sequência de cinco pratos é servida no restaurante de Victor Goye com show de música regional. Trutas, parilla e chá da tarde também compõem a gastronomia da Colônia Suíça. Reservas para o curanto: tel: (02944) 448605.

Esportes radicais: Entre as opções de rafting no rio Manso, a Adventure Center tem os programas “família”, para crianças a partir de 5 anos, e “no limite”, este com descidas de corredeiras de dificuldade média (níveis III e IV). Ambos incluem almoço, instrutores e aventuras que permitem ver, nas curvas do rio, os bosques e a fauna do Parque Nacional Nahuel Huapi de ângulos surpreendentes. A mesma agência oferece travessia de caiaque no Lago Gutiérrez, vôo de parapente e roteiros em veículos 4 x 4; tel: (02944) 428368, www.adventurecenter.com.ar

Na Canopy, a especialidade é arvorismo com circuitos de tirolesa, inclusive noturna. As instalações da agência ficam nas proximidades da Colônia Suíça, com acesso pelo km 18 da avenida Bustillo; tel: (02944) 458585; www.canopybariloche.com

Mais informações na Secretaria Municipal de Turismo. Tel: (02944) 429850, www.barilochepatagonia.info

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