O que aprendi depois de ter as malas extraviadas na ida e na volta

A esteira vai esvaziando, os passageiros vão embora e sobra você, desolado, torcendo para que sua mala apareça. Talvez ela esteja no fundinho do avião e por isso vai demorar. Só que ela não vem.

Foram quatro as vezes em que sobrei e saí do aeroporto de mãos abanando –incluindo a ida e a volta de uma mesma viagem, feita há poucos meses para Nice, na França.

Não é muito, mas o bastante para que eu me sinta uma espécie de expert no assunto. Aprendi, por exemplo, a me preparar para que um atraso ou sumiço da mala passem quase imperceptíveis (veja dicas).

Minha primeira experiência no mundo dos sem-mala foi em 2011, também na França –e aí começo a suspeitar que seja algo pessoal do país contra mim.

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Daquela vez, eu desembarcava em Paris carregando uma mochila com notebook, celular e documentos. Todo o resto estava na mala despachada (erro 1), que, para piorar, estava sem etiqueta com meus dados (erro 2).

À noite, no hotel, eu não tinha nada além de uma nécessaire que ganhei da companhia aérea, com minidesodorante, escova de dentes e uma camiseta tão fina que chegava a ser transparente e tão grande que parecia uma camisola.

No dia seguinte, a primeira coisa que fiz foi entrar em uma loja de departamento para comprar três blusas e roupas íntimas. A ideia era gastar o mínimo possível –o dinheiro era apertado e já estava separado para os passeios.

Comprei as peças, não guardei nota fiscal e não pedi reembolso (chegamos, enfim, ao erro 3). Nos meus quatro casos, aliás, a palavra “reembolso” nunca foi citada voluntariamente por funcionários.

Até hoje, apesar da “expertise”, não sei exatamente como funciona essa política. Na França, ao perguntar se havia um valor máximo de gastos, as respostas foram de “só reembolsamos itens de extrema necessidade” a “ressarciremos seus gastos devido à razoabilidade deles” –talvez por eu ter optado pela loja de departamentos H&M em vez da Chanel.

Por via das dúvidas, desde então, aonde quer que eu vá, carrego a bordo uma mochila com duas trocas de roupas, incluindo lingerie, itens de higiene pessoal, maquiagem e o que mais eu considerar essencial para a viagem –se tiver praia, é bom andar com o biquíni; em caso de frio, levo gorro, luva, cachecol e casaco. E por aí vai.

Um dia o peso extra na bagagem de mão teria utilidade, eu pensava. E enfim, em Nice, nem me preocupei muito quando me vi sozinha ao lado da esteira já vazia.

O único erro (ok, erro 4…) foi ter feito meu kit de emergência no modo automático e não ter incluído uma troca de roupa mais formal, como pedia o evento ao qual eu devia comparecer no dia seguinte. O próximo kit, fico imaginando, esse sim vai ser perfeito. (Todas as minhas malas perdidas, vale dizer, chegaram intactas –e sempre três dias depois.)

Fonte: Uol | http://www1.folha.uol.com.br/turismo/2015/12/1722532-cheguei-a-ter-mala-extraviada-na-ida-e-na-volta.shtml

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