Estudo indica que banheiros sujos são causa de doenças em cruzeiros

É a maneira perfeita de se estragar umas férias, e aconteceu 66 vezes desde 2005: uma epidemia de problemas gastrointestinais a bordo de um navio de cruzeiro. Agora, um estudo sugere um possível culpado: banheiros sujos.

A maioria dos banheiros nesses navios não está sendo adequadamente limpos, segundo os autores da pesquisa, e um programa de saneamento dirigido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, da sigla em inglês) não detecta aqueles que estão sujos.

De acordo com os pesquisadores, em artigo publicado na edição de 1º de novembro do Clinical Infectious Diseases, o CDC identificou a contaminação por norovírus como o problema em quase todas essas infecções. Porém, esses navios geralmente obtiveram altas avaliações na inspeção próxima da epidemia. Na verdade, suas notas foram em média mais altas do que aquelas de navios cujos passageiros não tiveram episódios de diarreia.

O norovírus consegue sobreviver durante semanas em superfícies em temperatura ambiente, e é difícil de exterminar. “É um vírus durão”, disse o principal autor do estudo, Dr. Philip C. Carling. “Ele não morre quando lavamos a mão com álcool. A única coisa que funciona é a água sanitária”.

Houve 19 epidemias de doenças intestinais durante o período do estudo, de três anos. Embora a pesquisa não tenha sido desenvolvida para detectar norovírus ou estabelecer a causa de quaisquer doenças, as notas da limpeza dos banheiros eram levemente mais baixas nos navios que tiveram epidemias, em relação aos que não tiveram.

A diferença não foi estatisticamente significativa, mas os autores disseram que as descobertas eram consistentes com a possibilidade de que a contaminação dos banheiros contribuiu à epidemia do norovírus.
“Não estamos dizendo que uma limpeza ruim causa epidemia de norovírus”, disse Carling, acrescentando: “Acredito que uma ou mais pessoas portadoras do norovírus e que permanecem manipulando alimentos, ou possivelmente um passageiro, chega com o microorganismo, e a higiene abaixo dos padrões age como um facilitador para a disseminação numa população fechada”.

Para o estudo, os pesquisadores testaram banheiros em 56 navios de cruzeiro com capacidades entre 1.258 e 3.600 passageiros. Usando uma solução de fácil remoção, visível somente sob luz ultravioleta, eles marcaram a porta do banheiro, os assentos do vaso, botões de descarga, portas dos camarotes, maçanetas e mesas de troca de bebês em 273 banheiros públicos aleatoriamente selecionados.

Em seguida, eles os monitoraram durante cinco a sete dias para ver se a solução havia sido removida por limpeza ou desinfecção (Carling solicitou a patente da solução usada pelo estudo para detectar a limpeza).
Quatro dos navios obtiveram notas perfeitas, ou quase perfeitas: os banheiros foram meticulosamente limpos todos os dias. No geral, entretanto, apenas 37% dos 8.344 objetos foram limpos diariamente. A maioria dos navios não possuía mesas para troca de bebês, mas em três desses, que tinham as mesas, nenhuma delas foi limpa durante o período do estudo.

Esse desempenho, embora não seja encorajador, não é muito pior que o de hospitais de tratamentos graves, onde um estudo similar, publicado no ano passado, descobriu que apenas 46,5% dos objetos nas áreas dos banheiros eram consistentemente limpos.

Carling, um professor de medicina clínica da Universidade de Boston, recusou-se a revelar os nomes das companhias de cruzeiro envolvidas no estudo.

“Essa não foi uma amostra de seção cruzada, mas uma amostra de oportunidade, uma avaliação realizada num ponto único no tempo”, disse Carling. “Dizer qualquer coisa sobre uma companhia específica de cruzeiros, ou um navio, exigiria uma avaliação muito mais profunda”.

Entretanto, ele também afirmou que nenhuma companhia de cruzeiros poderia ser destacada como mais suja do que as demais.

Em resposta a um questionamento, a Cruise Lines International Association, uma associação de empresas de cruzeiros, divulgou uma declaração dizendo que eles tinham um “conhecimento limitado sobre a metodologia do estudo” e eram “incapazes de conciliar suas conclusões aos rigorosos procedimentos de saúde pública, saneamento da indústria e às excelentes notas de higiene concedidas aos nossos navios pelo CDC”.
Porém, para os autores do estudo, suas descobertas sugerem que os critérios de inspeção do CDC “possuem uma baixa sensibilidade para identificar deficiências em práticas reais de higiene ambiental de banheiros públicos”.

Fonte: Uol

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *